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Vladimir Putin encontrou Fidel Castro há oito anos, no contexto da reaproximação ao continente americano. Pouco tempo depois, decidiu encerrar na ilha a base de espionagem que lá estava desde a guerra fria e que pagava uma renda de 200 milhões de dólares a Havana.
Mas os tempos mudaram e o novo presidente russo quer reforçar os laços e as zonas de influência. Por isso explicou que esta não era apenas mais uma viagem do presidente russo, de outros políticos e jornalistas. É uma decisão geo-política importante. A Rússia vai desenvolver as relações com a América Latina e os países caribenhos.
Ou seja, ocupar o terreno que Washington considera esfera tradicional de influência. Em Cuba é reforçar os laços que se deterioraram depois da queda da antiga União Soviética em 1991.
Quando Fidel Castro chegou ao poder, em 1959, a revolução era, antes de tudo, nacionalista, mas rapidamente passou a ter uma orientação pró-soviética, marxista-leninista. A viragem pró-russa fez-se naturalmente, já que a ilha estava em luta permanente com a administração americana.
Foi neste contexto que se desencadeou uma das maiores crises entre as duas potências, a crise dos mísseis em 1962. Em resposta aos mísseis americanos na Turquia, Moscovo instalou mísseis em Cuba. Washington entendeu-o como ameaça directa contra a segurança dos Estados Unidos… estava-se a um passo da terceira guerra mundial.
Circulou, então, o rumor de que Kroutchev tinha enviado bombardeiros estratégicos para Cuba e uma nova crise surgiu.
A repetição do que aconteceu no passado com o diferendo actual sobre o escudo antí-mísseis que os Estados Unidos pretendem instalar na Polónia e na República Checa, ajudou a reaquecer as relações entre Moscovo e Havana.
Há, também, interesses económicos em jogo, nomeadamente petrolíferos. Além de que as manobras de influência russo-venezuelanas servem para mostrar a Washington que o Kremlin tem poder no mar das Caraíbas e na América Latina. Pelo menos, o mesmo que a Casa Branca tem no antigo espaço soviético.
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