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Apesar da pompa e circunstância, as celebrações dos mil e vinte anos da cristianização da Rússia escondem uma verdadeira querela política.
Bartolomeu I chegou esta sexta-feira à Ucrânia, berço da ortodoxia russa, para participar nas festividades religiosas.
O patriarca ecuménico de Constantinopla foi recebido pelo presidente ucraniano, Victor Iuchenko, e deverá rezar uma missa com o patriarca de Moscovo.
Mas o conflito latente entre ortodoxos ficou bem patente nas primeiras declarações de Bartolomeu I, que apelou aos ortodoxos ucranianos para se unirem numa mesma igreja.
O problema é que duas igrejas ortodoxas ucranianas querem ser independentes, como refere um bispo da Igreja Ucraniana Ortodoxa Independente:
“A Ucrânia tem o direito de ter a sua própria Igreja. Infelizmente, Moscovo está a negar-nos esse direito da mesma forma que se opõe à noção da Ucrânia como um estado independente”.
O presidente ucraniano nega qualquer ingerência nas questões religiosas mas numerosos analistas afirmam que Iuchenko deseja a criação de uma igreja ucraniana unida.
Um intento que esbarra na recusa do patriarca de Moscovo que teme perder influência na Ucrânia.
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