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Em 2002, foram oferecidos cinco milhões de dólares por informações que levassem à captura de Radovan Karadzic. O antigo líder político dos sérvios da Bósnia e o ex-chefe militar, Ratko Mladic, continuavam em fuga.
Os dois eram procurados pelos crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995.
Ainda antes de a guerra ter começado, em Fevereiro de 1992, Karadzic ameaçava o parlamento bósnio, no caso de ser proclamada a independência. “Não pensem que não vão levar a Bósnia para o inferno e a os muçulmanos, talvez, para a extinção. Porque os muçulmanos não se vão poder defender, se houver uma guerra aqui”, afirmou.
O psiquiatra tornou-se o chefe político dos sérvios da Bósnia e o homem de confiança de Slobodan Milosevic. Karadzic tinha a missão de unir a Bósnia e a Sérvia, criando, a qualquer custo, uma Grande Sérvia.
A guerra da Bósnia provocou 200 mil mortos ou desaparecidos. Só no cerco a Sarajevo, que durou três anos, morreram 10 mil civis.
Outra atrocidade foi o bombardeamento do mercado de Merkale, cheio de gente à procura de mantimentos. Morreram pelo menos 33 pessoas e dezenas ficaram feridas.
Em Março de 1995, Karadzic desafiou a Comunidade Internacional. Fez soldados da ONU reféns para serem utilizados como escudos humanos, de forma a impedir o bombardeamento de posições sérvias.
Mas o pior ainda estava para vir. Karadzic mandou atacar a prisão de Srebrenica, declarada zona de segurança pela ONU. Separou mulheres, crianças e homens, para depois matá-los. Foi o último fôlego de uma limpeza étnica, que causou oito mil mortos. A Comunidade Internacional reagiu.
Em Dezembro de 1995, os acordos de Dayton puseram fim à guerra da Bósnia. Milosevic tirou Karadzic do primeiro plano, mas ele conseguiu parte dos seus objectivos.
A Bósnia-Herzgovina foi dividida em duas entidades: a Federação croata-muçulmana e a República Srspka.
Em 1996, Karadzic foi obrigado a renunciar à presidência da República Sérvia da Bósnia. Acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e de guerra pelo Tribunal Penal Internacional, retirou-se, mas continuou a movimentar-se nos bastidores.
Em 1997, passou à clandestinidade, apoiado por uma poderosa rede de seguidores.
Procurado durante anos, recusou entregar-se, mesmo depois do apelo da mulher Ljiljana, em Julho de 2005: “Peço-te para que tomes esta decisão e para que o faças por nós. Isto é única coisa que eu posso fazer e estou a implorar-te”.
Um monstro para os croatas e muçulmanos da Bósnia, um herói de guerra para muitos sérvios…
Radovan Karadzic começou por ser um defensor dos sérvios na guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, e acabou como um fugitivo, acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e de guerra.
O antigo líder político dos sérvios da Bósnia
Um dos crimes de que é acusado é o de ser o responsável pelo pior massacre na Europa, depois da segunda guerra mundial: a eliminação de cerca de oito mil muçulmanos em Srebrenica em Julho de 1995.
Outra das acusações está relacionada
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