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A França acabou por dar o braço a torcer, na reunião dos ministros das pescas, e vai acatar a decisão de Bruxelas: pôr imediatamente fim à captura industrial do atum vermelho, no Mediterrâneo, duas semanas antes da data prevista.
A Comissão garante que as quotas de pesca francesas e italianas já estão esgotadas – algo que ambos os países negam. Michel Barnier, ministro francês da tutela, pede explicações: “Infelizmente, não há mais pesca este ano porque a Comissão assim o decidiu. O que eu contesto são as condições nas quais esta decisão foi tomada. Os dados são aqueles que nós lhe transmitimos, mas a Comissão extrapolou-os e fez simulações que não correspondem aos nossos dados. Há um problema. Se os dados de que disponho fossem inexactos eu di-lo-ia, admiti-lo-ia.”
A agência europeia de controlo das pescas vigia, por satélite, todos os navios. E denuncia uma grande diferença entre os dias de faina de certas embarcações e as capturas declaradas. O que leva César Deben, director operacional da Comissão Europeia para os Assuntos Marítimos e da Pesca, a questionar-se: “Uma parte da frota continua com zero capturas após três semanas de pesca. Zero capturas? Das duas, uma: ou estes pescadores não merecem a autorização de pesca, porque são uns incompetentes, ou então há fraude.”
A Itália ameaça recorrer da decisão junto do Tribunal Europeu de Justiça. Mas Paris e Roma estão isoladas. Os restantes Estados membros apoiam a decisão de Bruxelas, em nome da salvaguarda do atum vermelho.
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