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A capital da Caxemira paquistanesa, Muzaffarabad é agora o epicentro de uma crise humanitária.
Na cidade, 80% dos sobreviventes do sismo de sábado continuam a dormir ao relento, sem água, nem comida. A luta pela sobrevivência motivou cenas de pilhagens durante a distribuição de víveres, esta manhã.
A situação poderá mudar nas próximas horas com a chegada dos primeiros helicópteros norte-americanos com ajuda humanitária e com o desbloqueamento das estradas, até aqui soterradas.
As chuvas fortes que assolaram esta manhã a região bloquearam durante horas todas as operações de ajuda.
Em todo o país calcula-se que mais de quatro milhões de pessoas tenham ficado desalojadas. Um milhar de hospitais foram destruídos, e a falta de assistência médica às populações levou a Organização Mundial de Saúde a lançar o alerta para a possibilidade do aparecimento de várias epidemias.
Os habitantes das aldeias devastadas pelo sismo começam agora a afluir ao que resta das principais cidades.
Segundo as estimativas o número de mortes no Paquistão poderá superar os 40 mil, na Caxemira indiana as baixas calculam-se em mais de 1 300 mortos.
Quatro dias depois do sismo de 7,6 de magnitude na escala de Richter ter sacudido o território da Caxemira, disputado entre Índia e Paquistão, o conflito deu lugar à mobilização humanitária internacional.
Não só a Índia mas também Israel ofereceram ajuda a Islamabad. No terreno, oito helicópteros norte-americanos, quatro do Afeganistão e dois da Alemanha realizam uma verdadeira ponte aérea para evacuar feridos de Muzzafarabad e Balakot, transportando cobertores e tendas.
Um dos socorristas enviados pelos Emiratos Árabes Unidos, afirma que, “depois de duas horas de trabalhos conseguiram retirar dos escombros, três sobreviventes e sessenta cadáveres”.
Em Balakot, onde só chegaram até agora 15 socorristas franceses, uma criança foi salva das ruínas da escola Shaheen onde permanecem bloqueadas outras trinta pessoas.
A derrocada de duas escolas tinha morto pelo menos 850 crianças no passado sábado. Até hoje, apenas os familiares procuravam sinais de vida por entre os escombros da cidade destruída a 70%.
Para fazer face à devastação, as Nações Unidas lançaram esta manhã um apelo internacional para reunir 272 milhões de dólares, durante o período de seis meses.
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